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  • Bruna Viana

O corpo perfeito pra dança

Se você pensa numa bailarina e de cara vem a sua mente a imagem de uma menina alta e magra, saiba que não há nada de errado com você mas sim com o padrão criado e imposto sobre os artistas da dança.


A magreza excessiva é um tema muitíssimo frequente entre os bailarinos, principalmente entre as bailarinas clássicas, pois foi no ballet que o padrão mundial de beleza magro começou a surgir.


Por muito tempo quanto maior o peso da mulher mais bonita e mais rica ela era pois as mulheres que eram magras demonstravam que seus maridos não tinham dinheiro suficiente para alimentá-las.


Mas quando as bailarinas magras (que não tinham dinheiro para se alimentar corretamente) subiram ao palco, ocorreu uma inversão de valores: a leveza que a mulher magra transmitia no palco passou a encantar mais do que a importância de declarar sua classe social e poder aquisitivo através do peso.


Porém, foi neste momento que a ambição pela magreza surgiu, principalmente entre as mulheres e para tentar atingir tal padrão tudo era válido: dietas malucas, ficar sem comer, roupas extremamente apertadas (espartilhos)...


A cultura da magreza ficou tão enraizada que "bailarina" virou sinônimo de magreza, mas afinal, o que é estar magro e como isso interfere na dança?


Claro que quanto mais leve o corpo está, menores as chances de causarmos algumas lesões que o excesso de peso pode acarretar, mas isso não significa que todo corpo magro seja saudável. Os distúrbios alimentares podem até deixar uma pessoa mais fina e com medidas menores, mas os nutrientes que o corpo necessita para as atividades básicas podem estar em falta, acarretando em até mais problemas do que um corpo acima do peso.


Calcular magreza por peso ou medidas também é algo muito delicado pois as vezes aquele bailarino pesa mais do que um visivelmente maior pois ele tem mais massa muscular compondo seu corpo enquanto o outro conta com uma porcentagem de gordura mais alta. Isso não faz do bailarino mais musculoso uma pessoa gorda.


A pressão estética acaba afastando diversas pessoas talentosíssimas da dança, pois acreditam serem gordas demais para uma malha ou collant e sentem medo constantemente do julgamento alheio.


Quando estamos falando do bailarinos profissionais ou que competem em grandes eventos estamos falando de atletas de alto rendimento e nestes casos eles costumam ser acompanhados de uma equipe multidisciplinar de profissionais que tentarão levar esse corpo ao ápice de seu rendimento. Eles costumam ser acompanhados de nutricionistas que prescrevem dietas equilibradas, profissionais da educação física que passam treinos adequados para a necessidade daquele bailarino, fisioterapeutas que auxiliam na melhor recuperação daquele corpo...


Nestes casos em específico o bailarino vive para a dança, investe seu tempo e dedicação a isso e por esse motivo acaba conquistando um corpo atlético e magro, respeitando a sua saúde e biotipo.


É complicado quando os professores, colegas de turmas, examinadores e jurados chegam colocando o padrão estético acima da técnica pois eles passam uma mensagem para aquele bailarino de que o corpo importa mais do que o tempo de estudo e dedicação que ele investiu para chegar até ali.


Devemos lembrar que todos tem o direito de serem felizes fazendo aquilo que lhe faz bem então não devemos punir uma pessoa que ama dançar só porque ela não cabe num figurino número 36. Quantos bailarinos profissionais aqui no Brasil tem um corpo que se subisse no palco de um festival seria julgado por ter "coxas grossas demais"? Eu mesma conheço vários...


Não podemos colocar na cabeça que a magreza está acima da técnica e do nosso amor pela dança, bem menos devemos alimentar isso entre as crianças e adolescentes que já são constantemente bombardeadas com fotos de pessoas extremamente magras e desafios que beiram o impossível para determinar quem está dentro do padrão.


Se somos capazes de aceitar a "coxa grossa" dos bailarinos profissionais e já contratados em grandes cias pelo Brasil, porque não aceitamos o corpo de uma adolescente em desenvolvimento ou então o corpo de uma aluna iniciante adulto que só quer realizar o sonho de fazer ballet.


Por fim, uma reflexão: quantas pessoas não se afastaram da dança por serem convencidas a acreditar que o corpo delas não era um corpo digno de dançar? Eu quase fui uma delas!

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